"Os EUA são, pelo segundo ano consecutivo, o principal destino do álcool brasileiro", diz Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. A expectativa é de que as usinas exportem 4,8 bilhões de litros na safra 2008/09, alta de 39% sobre o ciclo anterior. O mercado americano deverá absorver dois terços deste volume. União Européia e Ásia, sobretudo o Japão, que tem interesse em produzir o álcool em parceria com o Brasil, respondem pelo restante.
Apesar de serem os maiores produtores mundiais de etanol, os EUA não devem conseguir suprir sua demanda interna, estimada em 34 bilhões de litros. A produção naquele país está estimada em cerca de 30 bilhões de litros. A escalada dos preços do milho, principal matéria-prima para o etanol americano, tornou o álcool brasileiro super competitivo naquele mercado, mesmo com a tarifa de US$ 0,54 por galão e 2,5% de tarifa ad valorem. O álcool chega nos EUA a US$ 2,67 por galão. É praticamente mesmo valor que os americanos gastam para produzir o álcool deles, em torno de US$ 2,70 por galão. Os custos vão subir ainda mais lá, com as fortes chuvas inundando as lavouras de milho.
Nastari não acredita que o governo americano derrube a tarifa de importação do etanol, pelo menos no curto e médio prazos. Mas considera que os EUA poderão estimular a entrada de álcool de outros mercados, com a criação de salvaguardas, para acirrar a competitividade naquele mercado.
Mas, apesar da combinação de fatores positivos para o mercado brasileiro de álcool - consumo aquecido no país e recuperação das exportações -, as usinas operam atualmente no vermelho. Os custos de produção do álcool hidratado estão em R$ 0,7126 (o litro). No mercado paulista, o produto está cotado a R$ 0,63.
Para Nastari, há falhas na comercialização do produto no país, que vão desde a oferta maciça do combustível durante os sete meses de safra, a falta de infra-estrutura para armazenagem do álcool durante a entressafra, além da necessidade de criação de liquidez para o mercado futuro do etanol na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). "Há um cenário ajustado de oferta e demanda para o álcool no país. Mas essas deficiências na comercialização respondem pela forte sazonalidade dos preços ."
Para esta safra, a Datagro estima uma produção de álcool de 26,71 bilhões de litros no Brasil, aumento de 19,2% sobre o ciclo anterior. O consumo no mercado interno está estimado em 21 bilhões de litros. Há dois anos, o consumo era de 1 bilhão de litros mensais. Neste ano, gira em torno de 1,8 bilhão de litros, um salto de 80%.
Mônica Scaramuzzo
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