sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Argumentos contrários ao etanol estão cada vez mais infundados

SAFRAS (28) - O presidente da Subcomissão Permanente dos Biocombustíveis da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), senador João Tenório (PSDB-AL), afirmou que o momento é muito oportuno para discussões sobre os biocombustíveis, visto que os argumentos contrários à produção de etanol no Brasil estão cada vez mais infundados. Entre eles, o senador citou o de que plantar cana-de-açúcar na Amazônia pode aumentar o índice de desmatamento.

"Falta muita informação e sobra muita desinformação", disse o senador durante o 9 Seminário Nacional de Biocombustível no Brasil, que analisou nesta quarta-feira (27) a responsabilidade socioambiental e a competitividade do setor, bem como os produtos e as tecnologias que caracterizam a atividade.

Em seu pronunciamento, João Tenório manifestou-se contrário à plantação de cana-de-açúcar na região amazônica, não porque isso provocaria desmatamento, mas porque o produto requer um período de seca para ser colhido, o que não é possível no Norte do país, pelo alto índice de chuvas. Além disso, lembrou, o excesso de água dificulta o amadurecimento da cana.

Para aumentar a área de cultivo da cana, o senador sugeriu que os pecuaristas mudem seu sistema de criação de gado: "Criamos um animal por hectare. Seria razoável, com recursos, migrar a extensividade, mudar de um boi para um boi e meio por hectare. Assim, livraríamos sessenta e dois milhões de hectares de terra, produzindo a mesma quantidade de gado, e destinando essa terra excedente para cultivo de cana", defendeu.

Além de João Tenório, o seminário contou com a participação do deputado Eduardo Gomes, da Comissão de Minas e Energia da Câmara; do representante oficial do Brasil na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Tubino; do assessor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Manoel Policarpo; do diretor da Petrobras Biocombustível, João Noberto; do secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Renováveis, do Ministério de Minas e Energia, José Lima; e do consultor legislativo da Câmara dos Deputados Paulo César Ribeiro Lima, que fez a mediação dos debates.

Organizado pelo Instituto Brasileiro de Ação Responsável e pelo Congresso Nacional, o seminário teve como objetivo compilar dados a serem apresentados à Conferência Internacional de Biocombustíveis que será realizada em São Paulo, em novembro, para discutir a liderança brasileira na produção de combustíveis vegetais e o Programa de Produção e Uso do Biodiesel, do governo federal.

As informações partem da Agência Senado.

Fonte:

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O despertar da bioeletricidade

Bioeletricidade é a energia elétrica produzida a partir de biomassa de origem vegetal. A melhor matéria-prima que se conhece hoje para produzir a bioeletricidade é a cana-de-açúcar, seja porque a cana é uma excelente conversora de luz e água em matéria verde via fotossíntese, seja porque dois terços da energia da planta – presentes no bagaço e palha – subutilizados ou desperdiçados ao longo de séculos, só agora começam a ser entendidos e valorizados.

As usinas sucroalcooleiras são autosuficientes em energia. Após o apagão de 2001, a sociedade descobriu que a bioeletricidade é uma fonte adormecida de energia limpa, renovável e sustentável, fartamente disponível no coração do sistema elétrico nacional (estado de São Paulo e seu entorno) nos meses mais secos do ano, de abril a novembro. Estima-se que cada 1.000 MW médios de bioeletricidade injetados no sistema do Sudeste equivalem a aumentar o nível dos reservatórios de água em 4%.

Em 2005, o governo criou os primeiros mecanismos para a contratação de bioeletricidade e uma pequena parcela de produtores resolveu participar dos leilões de energia. Hoje, a capacidade instalada no setor atinge 5.300 MW, dos quais 3.000 MW são injetados na rede elétrica nacional. O número representa ínfimos 3% da matriz elétrica nacional, oferta ainda insignificante frente ao potencial disponível.

Em 2008, uma inédita e iluminada convergência de ações entre a Casa Civil, o Ministério de Minas e Energia, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Operador Nacional do Sistema (ONS), os Agentes de distribuição e de transmissão e os produtores permitiu a montagem de um primeiro programa de peso para a bioeletricidade. Em menos de um ano, os agentes públicos e privados envolvidos conseguiram solucionar uma imensa lista de obstáculos de financiamento, de licenciamento ambiental e de conexão das usinas na rede elétrica. Estudos de planejamento e otimização de velhas e novas redes elétricas, consultas públicas, reuniões exaustivas, uma gama de decretos e portarias, racionalização de processos, novos procedimentos e marcos regulatórios e, sobretudo, profundas mudanças culturais dos agentes envolvidos, permitiram o despertar dessa extraordinária fonte alternativa de energia elétrica.

Apenas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul foram identificados 210 empreendimentos com capacidade instalada potencial de 14.800 MW até 2015 e potencial de exportação de 10.200 MW para o sistema elétrico. Esse potencial, equivalente a uma usina do porte de Itaipu, está hoje adormecido nos canaviais da região.

Contudo, infelizmente apenas 39 empreendimentos que operam com biomassa da cana, e que juntos somam somente 2.800 MW ofereceram as garantias finais para participar do leilão de energia de reserva marcado para o dia de amanhã. As razões para a pequena oferta neste leilão são facilmente identificadas:

• Dependendo da localização do projeto e da configuração geográfica da rede de transmissão existente, os elevados custos de conexão, definidos como responsabilidade dos empreendedores, inviabilizaram a habilitação de muitos projetos;

• Houve uma expressiva elevação dos custos de investimento e operação da cogeração de energia, que praticamente dobraram em relação a 2007. Destacam-se a alta dos preços da terra, dos principais insumos agrícolas, da mão-de-obra, e principalmente do aço (leia-se das máquinas e equipamentos das centrais de cogeração);

• As novas usinas que estão em construção neste momento (greenfields) já foram concebidas para operar com caldeiras de alta eficiência e apresentam, portanto, menor custo operacional. Porém, mais de 60% da biomassa encontra-se em regiões tradicionais de cana, onde predominam usinas muito antigas (retrofits), que precisam trocar caldeiras e fazer grandes reformas estruturais, que geram um maior custo da eletricidade produzida. Além disso, após dois anos de preços baixos de açúcar e etanol, a grande maioria dos produtores não enxergou vantagens econômicas para despertar o 3º produto da cana no leilão de amanhã. É preciso entender que a bioeletricidade não é um subproduto que gera renda adicional para o setor sucroenergético, mas sim um elemento central de garantia da rentabilidade do setor, desde que remuneradora.

Tudo indica que os fatores econômicos continuarão sendo o principal obstáculo para a expansão da oferta de bioeletricidade. O preço inicial do leilão estabelecido pela EPE aparentemente não gerou grande entusiasmo no setor. Entendemos que é fundamental uma revisão dos critérios de precificação da bioeletricidade, de forma a refletir os reais custos de cogeração, reconhecendo as externalidades positivas para a sociedade da produção de energia limpa e renovável, em tempos de mudança climática e aquecimento global.

Com 46% de energia renovável, o Brasil pode se orgulhar de ter uma matriz energética limpa e renovável, movida por água, luz e fotossíntese. Em 2008, a biomassa de cana já será a principal fonte de energia termoelétrica do país (30%), à frente do gás natural, dos derivados de petróleo, da energia nuclear e do carvão mineral. Com ela, o Brasil dependerá menos das chuvas e da escassez de combustíveis fósseis e carvão.

Apesar de insuficiente para efetivamente despertar de vez a bioeletricidade, o leilão de amanhã será um primeiro passo fundamental para tornar a matriz energética brasileira ainda mais limpa e sustentável. Ele servirá como aprendizado para melhorar as condições regulatórias e de precificação deste novo e essencial produto, ainda pouco conhecido. A geração de grandes volumes de biocombustíveis e bioeletricidade a partir da biomassa das plantas tropicais é um processo inexorável. A sua velocidade depende, no entanto, de formuladores de políticas visionários, capazes de antecipar o futuro mudando conceitos e paradigmas.

Artigo publicado originariamente no jornal O Estado de S. Paulo - edição de 13/08/2008


Marcos Sawaya Jank é presidente da UNICA - União da Indústria de Cana-de-Açúcar

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Produção de cana-de-açúcar não reduzirá produção de alimentos no Brasil

22/08 - O aumento da produção canavieira no País não deve tomar áreas que produzam alimentos, frisou o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank. "Um questionamento que tenho que responder sempre é se as áreas de cana limitarão a produção de alimentos", comentou o presidente em sua palestra "Agroenergia - O novo paradigma da agricultura mundial", que aconteceu durante o 2° Canasul, promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (FAMASUL), no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, nos dias 22 e 23 de agosto.

Jank frisa que algumas áreas de pastagens serão substituídas pela produção de etanol, mas a produção de gado não deve diminuir. "Através de novas tecnologias, veremos os pecuaristas reduzindo o tamanho do gado por hectare sem diminuir o rebanho". Conforme os dados trazidos pela Única apenas 2% da área agrícola do País é utilizada para a produção de canavieira (açúcar e alcool), sendo que 1% das áreas aráveis são para a produção de etanol.

Questionamentos sobre a utilização da Amazônia para o plantio da cana-de-açúcar não correspondem com a necessidade dos investidores. Jank afirma que mesmo que fosse permitido pela legislação a região não é propícia para esse cultivo. "O que sempre mostro, é que, com 1% das áreas aráveis do país com cana substituíram 50% da gasolina no País. Isso é importante para a redução de gás carbônico na atmosfera", apontou.

Novas tecnologias

A projeção da Única é de que o consumo de etanol aumente ainda mais no Brasil e no mundo. O produto será usado em outros meios de transporte e também na confecção dos "bioplásticos". Aviões, motos e ônibus movidos a etanol já são realidade no País e o produto também deve se r usado na produção de energia com previsões de produção de ! 14.400 m egawatts em 2020.

Fonte: Sato Comunicação

Cana deve trazer mudança geopolítica para o mundo

A agricultura resolve cinco dos dez maiores problemas para a humanidade nos próximos 50 anos. A frase é do ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, na palestra “O Futuro do Brasil nas mãos da agroenergia”, realizada neste sábado, durante o 2º Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva de Cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul (Canasul). “A agricultura resolve as questões de energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza", comentou. Os outros são educação, democracia, população, doenças e terrorismo & guerra.

A agricultura também trará crescimento para países em desenvolvimento. “Os países pobres terão chances de crescimento e a cana-de-açúcar trará uma mudança geopolítica para o mundo. Os locais propícios para a plantação da cana estão justamente entre os trópicos, onde estão países pobres”, destacou o ex-ministro.

Alimentos X Agroenergia

Rodrigues comentou também sobre a polêmica em torno da falta de alimentos. Ele esclareceu que hoje os aumentos subiram de preço justamente pela explosão do consumo e não pelo plantio da cana-de-açúcar. “As populações pobres estão se estabilizando e crescendo, com isso pode-se alimentar melhor”.

Construção do mercado para etanol

Através da FGV, Rodrigues traçou um planejamento para a construção de um mercado para o etanol. A necessidade de ter mais países produzindo cana é benéfica para o Brasil. Rodrigues defende que outros países não querem ser dependentes de um único local. “Com mais países produzindo, mais fácil é do etanol ser uma commoditie. O Brasil precisa vender tecnologia da produção”, informou.

Ele aposta também na mistura compulsória do álcool. Segundo ele, o Proalcool só prosperou porque o governo Federal impôs a mistura do produto. Ele defende que outros países também façam o mesmo.

Eliminar mitos como a questão do fim dos alimentos por conta da cana-de-açúcar também foi apontado por Rodrigues como essencial para o desenvolvimento do setor. E a última estratégia para o ministro é uma estratégia global. “Hoje não temos definido o quanto vamos produzir ou o quanto queremos vender”.

O 2º Canasul foi promovido pela Comissão Técnica de Cana-de-açúcar da Famasul, Federação das Indústrias de MS (Fiems) e Governo do Estado, e tem o apoio do Sebrae/MS, do Banco do Brasil e da Sew Eurodrive. (Com informações da Assessoria da Famasul)

Fonte: Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

Canasul 2008 mostra caminho para o Brasil seguir como líder mundial na produção de etanol

O álcool, pouco acreditado nos anos 80, se mostrou uma saída para a indústria automobilística depois do desenvolvimento dos motores flex fuel. A nova tecnologia, inicialmente vista com desconfiança pelos produtores de álcool brasileiros, agora faz do País um campo de provas da indústria automobilística mundial e um líder em produção do biocombustível obtido a partir da cana-de-açúcar.

“Estamos à frente do mundo com uma vantagem muito grande e muito forte”, disse com entusiasmo Francisco Nigro, professor doutor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), durante o Canasul 2008, realizado nesta sexta-feira (22) e sábado (23) no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

No total de vendas nos postos de combustíveis brasileiros, a gasolina fica com 27,1%, bem atrás do óleo diesel, com 50,9% do mercado doméstico. O álcool tem 12%. O número é expressivo se comparado ao consumo no mundo em 2005, de apenas 1,5%. Porém, a demanda por biocombustiveis está apenas no começo. A meta de consumo para os Estados Unidos é de 11% em 2017.

Os norte-americanos descobriram as qualidades do biocombustível. Investindo na produção a partir do bagaço do milho, eles podem ameaçar a liderança brasileira. “Eles podem demorar um, dois, quantos anos forem necessários para desenvolver o que eles querem, mas eles conseguem”, analisou Nigro, que avalia o momento como oportuno para estabelecer uma parceria. “O Brasil ganhou um grande parceiro para tornar o etanol um biocombustível global”

Liderança brasileira

Nigro aponta o caminho para o Brasil se manter líder na produção de etanol no mundo. A largada deve ser dada pela sustentabilidade social e ambiental. Nesse aspecto, é importante incentivar a pesquisa de novas variedades de cana-de-açúcar que se adaptem melhor ao solo e ao clima. O pesquisador também fez críticas à demora da obtenção da licença ambiental no País.

O planejamento e adequação da cadeia produtiva é o segundo fator a que o Brasil deve ficar atento. Aperfeiçoar e expandir o mercado interno é o terceiro fator. O pesquisador sugere que o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) seja igual em todos os estados. A regulação de estoques e a melhoria em transporte também se enquadram nesta categoria. Segundo Nigro, “o custo da logística do etanol é muito maior do que o da gasolina também porque a Petrobras já tem muita experiência nisso”.

O mercado internacional é outro fator a ser considerado. Para desenvolver a importância e a presença do etanol brasileiro mundo afora é preciso investir em marketing e promover acordos bilaterais de cooperação.

O quinto e sexto pontos elaborados pelo pesquisador se referem ao desenvolvimento e disseminação de tecnologias e ainda à coordenação entre os segmentos da cadeia de produção de cana. “É preciso trabalhar junto com a indústria e desenvolver talentos”, diz Nigro.

O 2º Canasul é promovido pela Comissão Técnica de Cana-de-açúcar da FAMASUL, Federação das Indústrias de MS (Fiems) e Governo do Estado, e tem o apoio do Sebrae/MS, do Banco do Brasil e da Sew Eurodrive.

Fonte: Sato Comunicação

Cana é rentável a longo prazo

25/08/08 - Em comparação com a pecuária e produção de soja e milho, a cana-de-açúcar é a melhor opção de investimento com retorno a longo prazo. Esta é a avaliação do pesquisador e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Roberto Canziani, na palestra “Rentabilidade comparativa da cana-de-açúcar X outras atividades agropecuárias”, apresentada neste sábado (23), durante o II Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva da Cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul (Canasul), que acontece no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

“Neste momento, a cana está desvalorizada quando comparada com outros produtos, mas pela média histórica podemos verificar que ela tende a ser rentável, mais do que os outros produtos comparados na pesquisa”, comentou Canziani.

A pesquisa do palestrante levou e conta os valores de custo e produção do mercado do Paraná. Hoje, o preço da cana na esteira no Estado está desvalorizado. O pesquisador aponta o aumento de fertilizantes. Já na pecuária, o aumento da arroba deve-se as crises dos últimos cinco anos, quando os produtores rurais começaram a abater as matrizes. “Hoje o que se vê é a falta deste produto no mercado”, analisa.

Hoje, quando os preços médios de hoje comparado aos custos variáveis e operacionais as margens de lucro líquido são negativas, com percentual negativo de 16,1%, já quando comparado com a média de valores históricos, a margem de lucro dessas empresas é de 3,8%. A rentabilidade patrimonial, que com o valor atual da cana, é de 0,4%, chega a 13,9% quando comparada com a média histórica de valores pagos pelo produto.

Grupo de fornecedores de cana

O presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Luis Alberto Novaes, anunciou que os produtores fo! rmaram o primeiro grupo de fornecedores de cana-de-açúcar para as usinas que estão instalando na região. “Já temos usinas interessadas e fizemos um compromisso de fornecimento. Com a palestra apresentada, tenho certeza que a atividade tem viabilidade e é rentável”, apontou.

Fabiane Sato - 23/08
Fonte: Jornal Dia Dia

NE altera mix para produzir mais etanol

25/08/08 - As fábricas da região Nordeste do país vão destinar 5,6% mais do total da ATR disponibilizado na safra 2008-09 para a produção de etanol. A estratégia, definida em reunião na semana passada, entre lideranças do setor, objetiva abastecer o mercado regional, ´socorrido´ recentemente por biocombustível enviado pela região Centro-Sul. Com a mudança o mix, 48% da cana irá para o etanol e a produção de hidratado deverá crescer 16,42%. A oferta de cana nessa safra também está 1,41% maior e chegará a 65,2 milhões de toneladas. Será, segundo a assessoria do Sindaçúcar-AL, a segunda maior safra da região. Para ampliar a oferta de etanol, além da alteração no mix, os fabricantes decidiram também reduzir as exportações de açúcar em 5,13%, o que deve gerar embarques de 4,60 milhões de toneladas.

Fonte: Agroind

Etanol brasileiro ganha mercado, mas pode esbarrar no protecionismo internacional

25/08/08 - Baixos custos de produção e mão-de-obra fazem do mercado sucroalcooleiro no Brasil um campeão em competitividade. Enquanto o Japão gasta 952,40 dólares para produzir uma tonelada de açúcar, na região centro-sul brasileira o produto custa 216,05 dólares. O resultado da diferença de preços está no gráfico que mostra o crescimento das exportações do País. Nos anos 60, apenas 21% da produção de açúcar era exportada. Hoje, 63,2 % é vendida a várias partes do mundo, principalmente para a Rússia.

As vantagens e os desafios do setor de açúcar e cana foram apresentados aos espectadores do Canasul 2008 por Vânia Di Addario Guimarães, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O evento continua neste sábado (23) até as 18 horas no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

Etanol

O Brasil tem 400 usinas alcooleiras, das quais 187 estão no estado de São Paulo e 14 em Mato Grosso do Sul, estado que, segundo Vânia, deve se beneficiar da maior expansão do setor, ao lado de Goiás. “Norte e Norde! ste não vão ter crescimento”, constata.

O maior incentivo ao crescimento da produção de etanol é o aumento da fabricação dos veículos flex fuel, que habilitam o motor a rodar com álcool ou gasolina. “Em 2015, dos 30 milhões de veículos da frota nacional, 20 milhões terão essa tecnologia”, estima a pesquisadora.

As vantagens do álcool dependem da região onde é vendido e produzido. Em MS, o produto custa em média R$ 1,70 ao consumidor. Os motoristas mato-grossenses pagam R$ 1,14.

Barreiras

O protecionismo internacional, que atrapalha a entrada de produtos brasileiros em outros mercados, se mostra principalmente de duas maneiras. O mais visível é o tarifário, que oneram os produtores nacionais. “As especulações sobre a situação dos trabalhadores no Brasil e a questão da Amazônia acabam servindo como desestímulo à importação dos nossos produtos”, disse Vânia.

“Há um ‘ranço’ na sociedade de que os usineiros são pessoas ruins que escravizam os funcionários. Isso vem lá da época do império”, diz a pesquisadora, e defende os empresários sucrooalcooleiros: “O setor é muito vigiado, a questão trabalhista é altamente fiscalizada. E é muito bom que seja assim”.

Açúcar

Em 2006, o açúcar chegou a ser negociado a 400 dólares. O “ano do açúcar”, como ficou conhecido , teria sido melhor proveitado com um câmbio favorável, como em 2002. “Os produtores têm uma saudade incrível de 2002. Se os preços das commodities de hoje pudesse ser combinado ao câmbio daquela época, seria um ‘céu de brigadeiro’”, afirmou a palestrante.

Vânia acredita que o consumo interno de açúcar está estabilizado e não crescerá. Já o mercado externo oferece boas perspectivas, com o preço a 300 dólares. Quanto à exportação, é importante que o Brasil abra o leque de países compradores, diminuindo sua dependência de grandes clientes como a Rússia. “O açúcar ainda é um ótimo mercado, mesmo que o câmbio não facilite”, finaliza.

O 2º Canasul é promovido pela Comissão Técnica de Cana-de-açúcar da FAMASUL, Federação das Indústrias de MS (Fiems) e Governo do Estado, e tem o apoio do Sebrae/MS, do Banco do Brasil e da Sew Eurodrive.

Fabiane Sato e Carlos Henrique Braga
Fonte: Jornal Dia Dia

No bagaço da cana

25/08/08 - A CPFL Energia fechou parceria com a Cosan para a compra de R$ 500 milhões de energia gerada a partir do bagaço de cana, em um dos maiores negócios envolvendo a aquisição de energia elétrica por bioeletricidade realizados no Brasil.

A empresa, que anunciou a constituição da CPFL Bioenergia, uma unidade de negócio criada para investir em co-geração a partir da queima de biomassa proveniente da cana-de-açúcar, vai aumentar a sua capacidade de produção de energia de fonte limpa e renovável.

"Acreditamos que a geração de bioeletricidade dobrará nos próximos cinco anos, passando para 6% na participação da matriz energética brasileira", afirma Wilson Ferreira Jr., presidente da CPFL Energia.

Cerca de 87% da produção de cana-de-açúcar do país está no Estado de São Paulo, em regiões atendidas pelas CPFL por meio de suas subsidiárias.

Fonte: Folha de S. Paulo

Investimentos em pesquisa multiplicam ganhos de mercado do etanol

25/08/08 - Mesmo discutindo sobre especialidades distintas, Marcos Bernardes (O Futuro da Colheita da Cana) e Francisco Nigro (Programa Paulista de Bioenergia), professores-doutores da Universidade de São Paulo, enfatizaram nesta sexta-feira (22), durante ciclo de seminários do 2º Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva de Cana-de-açúcar de Mato Grosso do Sul (Canasul), que o desenvolvimento do etanol como combustível mundial depende de um fator: o investimento em novas pesquisas.

O professor Marcos Bernardes apresentou durante palestra um exemplo de projeto acadêmico que pode elevar a produção de álcool a partir do mesmo volume plantado atualmente, aproveitando a palha e cana no mesmo processo. Para o professor, atualmente, as novas possibilidades de ganhos de produção se viabilizam a partir de poucas pesquisas.

O investimento no setor acadêmico, de acordo com o especialista, tanto do setor público quanto da iniciativa privada diminuirá drasticamente as perdas no campo e nas usinas, gerando mais produção e menos custo. Como exemplos o professor citou pequenas alterações feitas em colheitadeiras, efetuadas após pesquisas acadêmicas, que aumentaram a produtividade por hectare.

“As novas tendências de plantio, de colheita e de produção podem se transformar positivamente com o investimento na formação acadêmica e nas pesquisas. Ainda temos muito campo para evolução. A produção pode e deve melhorar com os estudos de novas tecnologias”, afirmou Bernardes.

Para o professor-doutor Francisco Nigro, o investimento vai além. O país deve investir nas pesquisas para multiplicar a utilização do etanol como alternativa de combustível renovável e ambientalmente responsável no mundo todo.

Para isso, é necessário ultrapassar barreiras: estabelecer uma produção crescente sem passivos ambientais e sociais, estimular o mercado interno e desenvolver um novo mercado consumidor externo.

As alternativas primárias para superar esses desafios, de acordo com o estudioso, seriam a ampliação da capacidade de co-geração de energia elétrica durante a produção do álcool – a partir da utilização da palha de cana ou do bagaço – a melhoria da logística de transportes e o aumento de produtividade a partir de novas tecnologias.

Marcio Breda - 23/08
Fonte: Notícias MS

Mais da metade da cana vira etanol

25/08/08 - O Brasil produziu 550 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2007/2008. No mesmo período, a produção do Estado de São Paulo, onde a cultura expandiu muito nos últimos anos, inclusive na região de Bauru, foi de 319 milhões de toneladas. Além do aumento da produtividade, os dados surpreendem pela quantidade de cana direcionada para a indústria do álcool, 58,5% da produção.

Neste ano, a produção nacional está estimada - uma vez que a colheita ainda não foi encerrada - entre 560 e 580 milhões de toneladas (safra 2008/2009), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A safra nacional 2008/2009, ao que tudo indica, será aproximadamente 13% maior do que à anterior.

“No Estado de São Paulo a área cultivada é de 3,7 milhões de hectares. A produtividade média é 86,70 toneladas por hectare. No ano passado, a produção estadual foi de 319 milhões de toneladas. Desse total, 278 milhões de toneladas foram para a indústria de álcool”, ressalta o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde.

Ele ficou impressionado com o dado de que 58% da cana produzida no Brasil vão para a indústria alcooleira. “Eu pensei que esse índice fosse um pouco menor. Mas o mercado de açúcar está pior (que o do álcool). No Exterior, eles usam açúcar de beterraba e outras alternativas, mas ficam sem opção para substituir o álcool”, explica.

No País, segundo Lima Verde, a área dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar é de 6,9 milhões de hectares. A produtividade é 78,97 toneladas por hectare. “A produção nacional foi 550 milhões de toneladas das quais 475 foram para álcool na safra 2007/2008.”

Sobre a estimativa para safra 2008/2009, de aumento de 13% em relação à anterior, Lima Verde acredita que há probabilidade de ser concretizada. “Ainda é um número estimado. Mas a Conab faz levantamentos muito bem e tem uma margem de erro muito pequena. A produção deve ser de 560 a 580 milhões de toneladas, o que significa, proporcionalmente, entre 60 e 75 milhões de toneladas a mais do que no ano passado”, completa.

Consumo de álcool cresceu 52%

Um balanço do mercado de combustível da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) revela que o consumo de álcool hidratado teve um aumento de 52,9% de consumo no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O aumento é creditado a ascensão dos carros flex fuel e ao menor preço em relação à gasolina.

O levantamento aponta ainda que o consumo de álcool hidratado chegou a 6 bilhões de litros, volume abaixo do consumo da gasolina vendida nos postos que contêm 25% de álcool anidro em sua composição e que totalizou 12 bilhões de litros.

Rita de Cássia Cornélio
Fonte: Jornal da Cidade - Bauru/SP

Energia renovável lidera projetos limpos no País

25/08/08 - No Brasil, o maior número de projetos que dão direito a créditos de carbono vem de energia renovável. São 141, de um total de 295 aprovados ou em alguma fase de análise dos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) definidos no Protocolo de Kyoto, que busca reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global. Entre os produtores de energia, a biomassa, com a entrada firme das usinas de cana na co-geração por meio do bagaço, responde pela maior parte, 1.026,1 megawatts (36%). As hidrelétricas vêm em segundo, com 949,7 MW (32%) e as pequenas centrais hidrelétricas, em terceiro, com 596,36 MW (20%).

Os projetos de energia renovável prevêem evitar em cinco anos a emissão de 111 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa. Se todos os créditos fossem vendidos hoje, com a cotação em torno de 20 euros por toneladas evitada, renderiam às empresas um adicional de R$ 5,32 bilhões.

Com a decisão do governo inglês este mês de aprovar a compra de créditos de carbono provenientes MDL de projeto de uma grande hidrelétrica chinesa (acima de 20MW, na definição européia), Maurik Jehee, especialista em créditos de carbono do ABN Amro Real, mais operações podem seguir esse caminho "principalmente visando o potencial desse tipo de projeto no Brasil". Segundo ele, pode-se esperar "tratamento equitativo a todos os tipos de projetos".

Ele observa que o uso de créditos de carbono oriundos de projetos de grandes hidrelétricas pelos compradores finais na Europa deve continuar gerando polêmica, mas a porta está aberta, principalmente para o Brasil, que tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, baseada em geradoras de grande porte.

Roberto do Nascimento
Fonte: Mercado Carbono - Terra

Mecanização, só acompanhada de qualificação

25/08/08 - A qualificação da mão-de-obra como complemento ao processo de mecanização da colheita de cana-de-açúcar é peça fundamental em um contexto de crescimento do setor sucroenergético brasileiro. Essa é a visão do presidente da UNICA União da Indústria de Cana-de-Açúcar , Marcos Jank, externada durante o seminário Desenvolvimento, Capacitação e Profissionalização: Alinhar para Convergir, coordenado pela Biocana Associação de Produtores de Açúcar, Álcool e Energia , realizado semana passada, em Catanduva (SP).

Jank detalhou as iniciativas de sustentabilidade que vêm sendo realizadas pela UNICA, que mantém um núcleo fixo de responsabilidade social e ambiental.

São mais de 150 projetos, que serão detalhados juntamente com outros 500, voltados para as áreas social e ambiental, no primeiro Relatório Socioambiental produzido pela UNICA, com distribuição prevista para o final de setembro.

O seminário promovido pela Biocana contou ainda com a participação da consultora para assuntos sindicais da UNICA, Elimara Sallum, que abordou o Protocolo Agroambiental assinado, em 2007, pela indústria da cana paulista e o governo do Estado de São Paulo. O documento determina a eliminação da queima da cana no Estado até 2014 em áreas mecanizáveis. Elimara reforçou que é preciso capacitar mais profissionais para redirecioná-los para áreas em que há escassez na indústria, entre elas a laboratorial, de automação, administrativa e a própria colheita mecanizada.

De acordo com o presidente da Biocana e conselheiro da UNICA, Luciano Fernandes, é um desafio levar para aquela região do Estado de São Paulo informações e tecnologias que permitam a adaptação ao Protocolo Agroambiental.

"Devemos sempre buscar uma produção mais limpa, tanto ambientalmente como socialmente, e assim gerar novas oportunidades de trabalho por meio da capacitação de pessoas." O evento, que teve parceira da UNICA, do Sindicato Rural de Catanduva e da Associação de Fornecedores de Cana da região, contou com a participação do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio Filho e do chefe de divisão técnica do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), entre outros convidados.

Fonte: UNICA

Mundanças Geopolitícas provocada pela Cana

25/08/08 - A agricultura resolve cinco dos dez maiores problemas para a humanidade nos próximos 50 anos. A frase é do ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, na palestra "O Futuro do Brasil nas mãos da agroenergia", realizada neste sábado, durante o 2º Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva de Cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul (Canasul). "A agricultura resolve as questões de energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza. Quanto aos problemas de educação, democracia, população, doenças e terrorismo & guerra", comentou.

A agricultura também trará crescimento para países em desenvolvimento. "Os países pobres terão chances de crescimento e a cana-de-açúcar trará uma mudança geopolítica para o mundo. Os locais propícios para a plantação da cana estão justamente entre os trópicos, onde estão países pobres", destacou o ex-ministro.

Alimentos X Agroenergia

Rodrigues comentou também sobre a polêmica em torno da falta de alimentos. Ele esclareceu que hoje os aumentos subiram de preço justamente pela explosão do consumo e não pelo plantio da cana-de-açúcar. "As populações pobres estão se estabilizando e crescendo, com isso pode-se alimentar melhor".

Construção do mercado para etanol

Através da FGV, Rodrigues traçou um planejamento para a construção de um mercado para o etanol. A necessidade de ter mais países produzindo cana é benéfica para o Brasil. Rodrigues defende que outros países não querem ser dependentes de um único local. "Com mais países produzindo, mais fácil é do etanol ser uma commoditie. O Brasil precisa vender tecnologia da produção", informou.

Ele aposta também na mistura compulsória do álcool. Segundo ele, o Proalcool só prosperou porque o governo Federal impôs a mistura do produto. Ele defende que outros países também façam o mesmo.

Eliminar mitos como a questão do fim dos alimentos por conta da cana-de-açúcar também foi apontado por Rodrigues como essencial para o desenvolvimento do setor. E a última estratégia para o ministro é uma estratégia global. "Hoje não temos definido o quanto vamos produzir ou o quanto queremos vender".

O 2º Canasul foi promovido pela Comissão Técnica de Cana-de-açúcar da FAMASUL, Federação das Indústrias de MS (Fiems) e Governo do Estado, e tem o apoio do Sebrae/MS, do Banco do Brasil e da Sew Eurodrive.


Fabiane Sato - 23/08
Fonte: Portal MS

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Brasil e EUA ainda líderes na produção mundial de etanol em 2015

O desenvolvimento do mercado mundial de biocombustíveis dependerá do comportamento futuro e da relação entre fatores como preço do petróleo, disponibilidade de alimentos, ação de políticas governamentais (concessão de subsídios, incentivo ao consumo e metas de mistura), descoberta de novas tecnologias e competição com combustíveis fósseis. Essa é a conclusão do estudo sobre etanol e biodiesel apresentado nesta terça, dia 19, no Conselho de Estudos Ambientais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Elaborada pelo economista Fábio Silveira, da RC Consultores, a análise aponta que essa combinação de fatores em escala global determinará as condições de oferta e demanda dos biocombustíveis no Brasil. De acordo com o estudo, em 2015 a liderança na produção mundial de etanol continuará pertencendo aos Estados Unidos e Brasil, cujos volumes produzidos deverão atingir o patamar de, respectivamente, 56 bilhões de litros e de 50 bilhões de litros.

Conforme a pesquisa, no caso da expansão da oferta norte-americana, ela será sustentada, essencialmente, por incentivos fiscais, já que seu custo de produção é pouco competitivo. O volume produzido pelo Brasil, por sua vez, terá forte incremento, em decorrência de suas nítidas vantagens comparativas (cadeia produtiva bastante integrada, elevada escala operacional, menor custo de produção, avançado domínio tecnológico no âmbito agrícola e industrial, disponibilidade de áreas para plantio e condições climáticas favoráveis).

O economista alertou que para a constituição de um efetivo mercado internacional de etanol, não basta que o Brasil, maior exportador, aumente de forma acelerada suas vendas externas em longo prazo. É necessário também elevar a produção desse biocombustível em diferentes regiões do mundo, ampliando tanto o número de exportadores, como de países aptos à implantação de programas de mistura de etanol à gasolina. Além disso, Silveira ressalta a necessidade do país atuar na promoção de abertura de mercados e inserção de novos produtores no cenário mundial.

Para Fábio Silveira, o crescimento da produção de etanol de milho dos Estados Unidos será menor que o registrado nos últimos anos e, por conseqüência, não terá excedente para a exportação. O economista ressalta que mesmo com tal incremento, o mercado norte-americano deverá comprar etanol brasileiro e acelerar o desenvolvimento do etanol celulósico, fundamental para que o país atinja suas metas de energia.

O presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, não acredita que os Estados Unidos tenham o etanol celulósico num curto espaço de tempo.

– Todo mundo que trabalha nessa área sabe que entre a produção de laboratório e a escala necessária para o mercado há uma distância terrível. Não significa que não valha a pena investir no etanol celulósico, mas uma coisa é o experimento em uma bancada de laboratório com tudo limpinho sob controle e outra é fazer isso em escala industrial – alertou Goldemberg.

No que se refere à inserção do etanol brasileiro no mercado norte-americano, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fecomercio, Mario Marconini, observou que há uma sinalização de que o Congresso norte-americano estenda a atual alíquota ao nosso biocombustível até 2012 ou até por um período maior. Em sua análise, uma mudança de comportamento dos Estados Unidos traria reflexos positivos em todo o mundo.

– Os Estados Unidos poderiam ser um grande aliado brasileiro, não somente no consumo de etanol, mas também em uma possível ‘comodditização’ desse combustível, introduzindo essa cultura no resto do mundo – comentou.

Já sobre a produção do biodiesel, o economista Fábio Silveira defende que o Brasil precisa de uma política clara sobre a produção desse tipo de combustível. Hoje a produção desse combustível biodegradável gira em torno de um bilhão de litros e a expectativa para 2015 é que esse volume triplique. Nesse período, a produção brasileira de biodiesel continuará a ter na soja sua principal matéria-prima. Segundo o economista, essa medida não afetará a oferta de alimentos, pois o país tem uma grande disponibilidade de terras, o que permite tanto aumentar o plantio de soja, como também a expansão das culturas de milho e de cana-de-açúcar.

A avaliação do custo da energia elétrica, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental, é fundamental no atual cenário brasileiro, segundo o presidente do Instituto Acende Brasil, Claúdio Sales. Segundo ele, é preciso tomar cuidado para não aumentar o custo da energia elétrica ao consumidor, que hoje já é muito elevado.

FECOMÉRCIO

Produção de álcool não prejudica oferta de alimentos

20/08/08 - Estudo sobre o futuro do mercado de etanol e de biodiesel, encomendado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) mostra que não há risco de escassez de alimentos no mercado internacional em decorrência do avanço das áreas plantadas com cana-de-açúcar para o aumento da produção de etanol.

Os resultados do estudo foram apresentados hoje (19), em São Paulo. De acordo com o economista Fábio Silveira, coordenador do levantamento, é viável expandir a oferta de álcool combustível sem a necessidade de substituir culturas como a de grãos, por exemplo. “Não vejo uma relação de causa e efeito“, disse.

Segundo Silveira, a participação da cana-de-açúcar na agricultura, hoje, está em torno de 2,5%. Para ele, há espaço suficiente no território brasileiro para abrigar tanto o crescimento da cana, como de grãos.

“Temos entre 80 milhões a 90 milhões de hectares de terras disponíveis”, afirmou. O economista calcula que a produção de etanol dobre até 2015, alcançando o volume de 52 bilhões de litros. Ele explicou que a estimativa foi feita com base na velocidade do consumo e no crescimento dos investimentos que o setor vem recebendo.

O economista disse que o aumento do preço da soja no mercado internacional não está restrito à crescente demanda do consumo, que tem ocorrido, principalmente, na Ásia. A alta do grão estaria, sim, relacionada a um movimento especulativo que afeta também outras commodities, produtos e serviços negociados no mercado internacional.

Pelas projeções do estudo, haverá um aumento da oferta brasileira de soja, passando da marca atual, que está entre 55 milhões a 60 milhões de toneladas, para 90 milhões de toneladas.

O estudo aponta ainda que o Brasil vai figurar entre os principais produtores de etanol, ao lado dos Estados Unidos, onde a produção projetada é de 56 bilhões de litros.

De acordo com o economista, os cálculos indicam que, dentro dos próximos sete anos, haverá também um recuo na média dos preços praticados no mercado interno. “O preço deve cair porque vão maturar os vários projetos em desenvolvimento, o que permitirá um choque de oferta.”

No mercado internacional, a expectativa é de que os grandes consumidores, nos próximos anos, sejam os Estados Unidos – que também vão aumentar a produção de etanol à base de milho - e o Japão.

Já as projeções feitas para o biodiesel indicam que a oferta deverá ser triplicada, passando de 1,13 bilhão de litros para 3 bilhões de litros. A maior parte, segundo Silveira, será processada a partir do óleo de soja e o restante dividido entre o óleo de palma, o algodão, a mamona e o girassol.

O físico José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomércio e professor assistente da Universidade de São Paulo (USP), destacou que o potencial de energia que existe a partir do uso do bagaço da cana-de-açúcar, só com a produção da região de Ribeirão Preto, no interior paulita, já é enorme. “Há uma Itaipu adormecida”, disse.


Marli Moreira
Fonte: Agência Brasil - ABr

Bioenergia pode equivaler a Itaipu em 2015

20/08/08 - A quantidade de bagaço de cana-de-açúcar gerada pela produção de açúcar e álcool no Estado de São Paulo, em 2015, pode equivaler à mesma quantidade de energia do que a usina de Itaipu, segundo o presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg.

"Há uma Itaipu adormecida. E não é a 3 mil km de distância, no meio da Amazônia. É em São Paulo, na região de Ribeirão Preto."

Goldemberg participou do workshop Combustíveis Renováveis, que apresentou o cenário do mercado brasileiro de biocombustíveis até 2015, suas condições de oferta e demanda e os efeitos sobre a atividade comercial do País.

Fonte:

MS terá a maior usina de álcool do país

20/08/08 - Pronta para processar 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, a LDC Bioenergia, uma das 31 usinas de álcool em construção no Mato Grosso do Sul, será inaugurada na quinta-feira em Rio Brilhante, a 270 quilômetros de Campo Grande, na região sul do Estado. A empresa é a maior do gênero no Estado e estima demandar produto de 50 mil hectares até 2016, metade da área reservada para o plantio de cana no município.

A nova usina é uma das unidades do grupo francês Louis Dreyfus Commodities, que já administra mais de 170 mil hectares de terras rurais, entre pomares de laranja e canaviais, além de operar quatro fábricas de processamento de oleaginosas, sete usinas de açúcar, três fábricas de suco de laranja, dois terminais portuários e mais de 50 armazéns graneleiros. Possui 20 mil empregados, sem contar os 2,5 mil empregos diretos e indiretos criados com a usina de Rio Brilhante.

Para o governador André Puccinelli (PMDB), a inauguração é um passo para a instalação das outras usinas que deverão começar a produzir até o final de 2009. São 31 em fase de construção e outras 12 com autorização para implantação. "Até o próximo ano, nossa produção atual, que é de pouco mais de 1 milhão de metros cúbicos de álcool, passará para 2,5 milhões".

"Temos que atingir essa meta para viabilizarmos o poliduto para transportar o álcool produzido no Estado até Paranaguá e trazer para MS o diesel, a gasolina e o GLP", disse. As 43 usinas de álcool, açúcar e co-geração de energia investirão R$ 17 bilhões nos próximos três anos, o que resultará também no crescimento da produção de eletricidade. O potencial de geração mapeado do MS é 4.155 megawatts (MW), metade proveniente da biomassa da cana.

Fonte:

Etanol com padrão de sustentabilidade verificada

22/08/08 - Em agosto os motoristas suecos passaram a se beneficiar de um acordo inédito entre a Sekab, maior importadora de etanol da Suécia, e quatro produtores do combustível feito a partir da cana-de-açúcar no Brasil: Alcoeste, Cosan, Guarani e NovAmerica. O Etanol importado para distribuição na Suécia pela Sekab passa a ter os padrões de sustentabilidade verificados por uma agência independente, para assegurar que o combustível atinge critérios específicos em termos de responsabilidade social e ambiental.

Segundo Anders Fredriksson, vice-presidente da Sekab, o acordo visa mostrar que o combustível distribuído satisfaz as expectativas que os consumidores suecos têm ao optar pelo etanol. “Por atender critérios específicos, o produto acaba com dúvidas freqüentemente levantadas a respeito do etanol brasileiro, que por vezes geram controvérsia na Europa”, disse Fredriksson.

O acordo estabelece que todas as usinas exportadoras de etanol para a Suécia sejam auditadas em seis pontos específicos: redução da emissão de CO2, nível mínimo de colheita mecanizada, compromisso com a conservação das áreas de mata nativa, tolerância zero em relação ao trabalho infantil e não regulamentado e respeito aos pisos salariais do setor. O documento exige ainda que as empresas participantes sejam signatárias do Protocolo Agroambiental, firmado em 2007 entre a indústria da cana-de-açúcar e o governo do Estado de São Paulo. O protocolo marcou 2014 como a data limite para que todas as áreas mecanizáveis com a tecnologia existente sejam contempladas, eliminando assim a queimada dos canaviais (necessária para o corte manual).

O primeiro carregamento de etanol brasileiro verificado foi embarcado para a Suécia em meados de junho e estará disponível nos postos do país em agosto. A iniciativa esta sendo anunciada por intermédio de uma campanha publicitária da Sekab e de um site, com conteúdo em sueco, português e inglês:


Em visita ao Brasil para assinar o acordo, Fredriksson conversou com jornalistas. Leia os principais trechos da entrevista.

Fonte: UNICA

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Etanol: uma atitude inteligente

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) - reúne os 110 principais produtores de cana-de-açúcar da região Centro-Sul, responsáveis por 60% da produção do setor sucroalcooleiro no Brasil -, lança marca em uma campanha criada pela Talent apresenta a nova marca para o etanol brasileiro, associando o uso do combustível a outras atitudes sustentáveis como, por exemplo, plantar uma árvore ou reciclar o lixo, e mostrar que a opção pela sua utilização como combustível é uma escolha simples, que pode ser feita no dia-a-dia e que traz resultados tão positivos quanto outras ações já mais conhecidas.

"Etanol: uma atitude inteligente". Este é o slogan da nova campanha publicitária que visa estimular o uso do biocombustível. A publicidade está nos meios de comunicação desde a última segunda-feira. Dona de 60% do álcool produzido no País, a Unica pretende com a ação mostrar que, além dos preços, há outras vantagens do produto em relação à gasolina.

A comunicação pretende desmistificar informações sobre o produto e reforçar que além de ser uma energia limpa e renovável, o etanol aumenta o rendimento dos veículos.

O filme, intitulado "Safári", mostra uma família chegando de carro em uma reserva ecológica de macacos. Ao entrar no parque eles se deparam com os macacos "boicotando" o carro da frente. Os macacos pulam, gritam, sacodem a antena e colocam uma banana no escapamento. A família assiste a cena perplexa e se assusta quando os macacos vêm em direção a seu carro.

Esperando a mesma atitude que presenciaram em relação ao primeiro carro, eles se surpreendem quando, ao invés de "atacá-los", os macacos simplesmente limpam o vidro e o teto do veículo. A família sorri e então surge o adesivo com a marca "Etanol, uma atitude inteligente", colado atrás do carro. O locutor completa a mensagem, dizendo: "Á natureza agradece quem abastece com álcool combustível, o etanol. Ele reduz em até 90% a emissão de gás carbônico". O filme termina com a trilha que traz o slogan da campanha.

Os spots, anúncios e ações de Internet reforçam os benefícios do produto. A cartilha traz mais detalhes, apresentando de forma didática informações sobre como o etanol reduz as emissões de gases causadores do efeito estufa, as preocupações dos produtores de etanol com o Meio Ambiente, e pequenos hábitos que ajudam o planeta, entre eles abastecer com etanol.

Sob a assinatura "Etanol: uma atitude inteligente", a campanha circulará nos principais mercados nacionais e ficará no ar até novembro.

“A campanha desenvolvida pela TALENT é mais uma iniciativa da UNICA para mostrar os benefícios do etanol de cana como alternativa de combustível renovável. Em outras ações semelhantes, já veiculamos anúncios em veículos dos Estados Unidos e da União Européia com esse mesmo objetivo, já que o Brasil detém a melhor tecnologia capaz de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, além de ser comprovadamente a melhor opção comercial aos combustíveis fósseis”, destaca Marcos Jank, presidente da UNICA.

Fonte: Fontes Diversas

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cana vai sustentar matriz energética

18/08/08 - Nem há porque se dizer que as energias alternativas são consideradas estratégicas para o futuro. Elas são estratégicas para hoje. Pois, além de poupar as hidrelétricas, são menos agressivas ao meio ambiente. No Brasil, o bagaço de cana-de-açúcar é um recurso em potencial, por conta das condições climáticas do País. Uma análise da Frost & Sullivan, empresa internacional de consultoria e pesquisa, estima que a quantidade de energia gerada dessa biomassa irá atingir, até 2014, 12,2 giga walts (GW). Para se ter uma idéia da dimensão, a Usina Hidrelétrica de Itaipu gera 14 GW de energia.

Isso significa que a energia gerada pelo bagaço da cana-de-açúcar pode apresentar um aumento de até quatro vezes, uma vez que, no ano passado, chegou a 3,0 GW. Essa previsão leva em conta o investimento no setor sucroalcooleiro, que tende a implementar caldeiras com maior capacidade de produção. De acordo com o analista da Frost & Sullivan, Jorge de Rosa, o Nordeste precisa ser mais explorado, pois reúne elementos essenciais para esse tipo de geração de energia, que são território, clima e solo.

“Além desses, é preciso investir na estrutura de negócios. A ausência de um cluster dificulta a exploração desse recurso”, avalia. Apesar da pesquisa não dispor de informações do quanto os estados vêm investindo na geração de energia por cana-de-açúcar, o analista revela dados sobre o potencial de cada um. A Bahia ocupa o primeiro lugar, com 30% do potencial de biomassa da Região Nordeste. “Essa posição é facilmente explicada por conta de sua extensão territorial”, explica. O Maranhão surge com uma média de 25% do potencial; em seguida, estão o Piauí, com cerca de 15%, e o Ceará, com 8%. Pernambuco só aparece em quinto lugar nessa lista, com aproximadamente 5% do potencial de todo o Nordeste.

O analista Jorge da Rosa enfatiza que esses dados correspondem a possibilidades, e não ao número de investimentos no momento. “Existem alguns obstáculos que dificultam o alcance dessas porcentagens, como a necessidade de uma regulamentação adeqüada e, conforme já foi ressaltado, de uma estrutura de negócios”, informa. O uso do bagaço de cana-de-açúcar pode, além de fortalecer a matriz energética, motiva a auto-suficiência das usinas, pois estas passam a suprir suas necessidades com a energia gerada pelo seu produto cultivado, e ainda vender o excedente para outras indústrias, gerando renda às propriedades rurais.

Priscila dos Santos
Fonte: Folha de Pernambuco
Da:

Mercado para Etanol

18/08/08 - O interesse em transformar o etanol em commodity está sendo cada vez mais discutido pelo mercado. De acordo com Alexandre Strapasson, diretor do Departamento de cana-de-açúcar e agroenergia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a safra está em sintonia com a demanda por combustível. Somente para este ano, estima-se que as exportações nacionais ultrapassem o volume de 4,5 a 5 bilhões de litros.

O aumento da oferta aliado aos preços razoavelmente baixos, segundo Strapasson, atrai o consumidor final, o que mostra que o mercado doméstico está em constante ascensão. Em março, Brasil e Estados Unidos já haviam feito um acordo para incentivar a produção de biocombustíveis. Na ocasião, já se discutia o estabelecimento de normas mundiais para que produtos como o etanol pudessem ser comercializados no mercado internacional.

"Percebemos uma receptividade muito grande por parte de alguns países que querem adotar a tecnologia brasileira", afirmou o diretor. Segundo ele, a transformação do etanol em commodity beneficiaria o País no quesito nacional e internacional, já que geraria empregos de forma acentuada e desenvolvimento tecnológico de produtos com maior valor agregado.

Alexandre esclarece que ainda prevalece o mercado à vista, embora exista a tendência de crescimento para os mercados futuros. Strapasson destaca que o etanol enfrenta grandes desafios no cenário internacional, mas a expectativa é de que os volumes aumentem, apesar das altas barreiras tarifárias, especialmente nos Estados Unidos e União Européia, principais parceiros do Brasil.

Aline Khouri
Fonte:
Da:

domingo, 17 de agosto de 2008

O peso do etanol no milho norte-americano

15/08/08 - Novos dados divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) permitem avaliar melhor o peso que o etanol vem representando na produção norte-americana de milho e de que forma afeta, prejudicando, a produção animal.

Uma vez que já está definido em lei quais os volumes de etanol que serão adicionados à gasolina em 2008 e 2009, neste ano o país precisará de três milhões de bushels (76,2 milhões de toneladas) para atender a essa demanda. E de 4,1 milhões de bushels (104,1 milhões de toneladas) em 2009 para o mesmo fim.

Portanto, depois de consumir perto de 2,2 milhões de bushels em 2007 (cerca de 53,8 milhões de toneladas, volume superior ao da produção brasileira), o etanol de Bush vai solicitar neste ano um volume 41% maior e, no ano que vem, quase o dobro (+93%) do que foi consumido em 2007.

O único senão é que a produção, além de não crescer com essa velocidade como é desejável, também depende diretamente do clima. E, segundo o USDA, enquanto no ano safra 2007/2008 aumenta perto de 25% em relação a 2006/2007, chegando aos 332,1 milhões de toneladas, em 2008/2009 deve apresentar um recuo de 6% em relação à safra atual, caindo para 312,1 milhões de toneladas.

Quem mais sofre com isso, naturalmente, é o maior e mais tradicional consumidor do grão, a alimentação animal. Que paga a conta não só em termos de preço, mas também de disponibilidade do produto. Assim, o USDA prevê que depois de um aumento de consumo da ordem de 8% neste ano, o volume de milho destinado às rações sofrerá uma queda superior a 12%, recuando a nível inferior ao registrado na safra 2006/2007.

Essa constatação desenha ao menos dois cenários favoráveis para a agropecuária brasileira: (1) que o milho continuará altamente valorizado; portanto, vale a pena plantar; (2) que a produção animal norte-americana deve recuar em relação a 2008; por decorrência, continuará havendo bom espaço para as carnes brasileiras no mercado internacional.

Fonte: AviSite

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mercado enfrenta desafios para transformar o etanol em commodity

14/08/08 - Brasília - Alguns desafios se colocam para transformar o etanol em uma commodity. É preciso que o mercado se organize e tome algumas resoluções no setor dos biocombustíveis para que o etanol entre no comércio internacional. A informação foi prestada pelo diretor do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia, da Secretaria de Produção e Agroenergia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/Mapa), Alexandre Strapasson, durante palestra no Workshop Tecnologias para uso de biocombustíveis em motores automotivos.

Para Strapasson, uma das principais medidas a adotar é o desenvolvimento de políticas públicas para dar suporte ao setor dos biocombustíveis e segurança para o investidor aplicar nesse novo mercado. O diretor acredita que quanto mais países produzirem e consumirem esse produto, mais o mercado será fortalecido e atrativo para os investidores.

“Outras medidas também devem ser adotadas como a redução de barreiras tarifárias entre os países, incentivo aos financiamentos, mecanismos de gestão dos estoques, capacitação de recursos humanos para implementar esses programas públicos e infra-estrutura”, ressaltou.

No workshop foram abordadas tecnologias já utilizadas, como a mistura álcool e gasolina, veículos a álcool, flex-fuel e o biodiesel, além das perspectivas de novas tecnologias, como a introdução do etanol em motores do ciclo diesel e a tecnologia flex-fuel para motocicletas.

Participaram do encontro representantes de governos da América Latina, União Européia, países dos Emirados Árabes, Iraque Líbia, de países asiáticos, como China e Japão, e empresas privadas do setor automotivo.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Da:

Usinas garantem etanol na entressafra

14/08/08 - Não haverá escassez de etanol (álcool combustível) na entressafra, período entre dezembro a março quando as destilarias ficam paradas.

A garantia é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que ontem divulgou acompanhamento da safra de cana 2008-09 na região Centro-Sul do país.

Segundo a entidade, em meados deste mês 50% do ciclo estará realizado e o montante da matéria-prima disponível para moagem permite projetar uma produção de etanol que garanta plenamente o abastecimento do mercado interno.

“Os produtores estão à disposição das distribuidoras de combustíveis, responsáveis pelas vendas no varejo do etanol hidratado, e pela mistura de etanol anidro com a gasolina, que desejarem garantir estoques para a entressafra”, afirmou Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Neste ano, a média mensal de consumo nacional de etanol passa de 1,1 bilhão de litros. E para reforçar o avanço desse mercado, na última terça-feira a diretoria da BR Distribuidora, do Grupo Petrobras, divugou que suas vendas de etanol cresceram 55% no primeiro semestre, embora em volume foi maior a comercialização de óleo diesel, que registrou alta de 9% na demanda.

As saídas de etanol no mês de julho das unidades produtoras da região Centro-Sul superaram 1,8 bilhão de litros para o mercado interno, 10% acima das saídas registradas em junho. Os embarques para o mercado externo atingiram 0,65 bilhões de litros.

Segundo a Unica, o incremento das vendas tanto do etanol anidro e hidratado para o mercado interno resultam da competitividade do etanol frente à gasolina em grande parte do mercado nacional e do abastecimento da região Nordeste pelos produtores da região Centro-Sul, que deve continuar até o inicio da safra na região.

Novo recorde

A colheita de cana estabeleceu em julho um novo recorde para um mês, alcançando o volume de 73,04 milhões de toneladas, sendo 35 milhões na primeira quinzena do mês e 37,99 milhões na segunda quinzena. Esse desempenho permitiu recuperar o atraso na colheita no início da safra devido ao mau tempo.

Conforme a entidade, o total acumulado da colheita no Centro-Sul chegou aos 214,31 milhões de toneladas, 11,57% superior ao volume do mesmo período da safra passada.

As condições no mês de julho foram favoráveis à maturação da cana, com a quantidade de açúcares totais recuperados por tonelada de cana processada chegando aos 147,1 quilos, um aumento de 1,61% sobre o volume registrado na segunda quinzena de julho de 2007. No entanto, a recuperação ocorrida em julho está sendo prejudicada pelas condições climáticas adversas à colheita verificada no início de agosto.

A incidência de chuvas, em índices superiores a 100 mm no estado do Paraná e 70 mm em grande parte do estado de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, fará com que a moagem de cana na primeira quinzena de agosto seja inferior em até 10 milhões de toneladas em relação ao potencial da quinzena.

Segundo a previsão da Unica, as chuvas ocorridas no início de agosto também afetarão a quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana em relação ao potencial do período.

Delcy Mac Cruz
Fonte: Jornal A Cidade – Ribeirão Preto/SP
Da:

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

“Etanol” substituirá “álcool” nos postos

14/08/08 - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu que o álcool combustível terá sua nomenclatura alterada. Nas próximas semanas, a autarquia determinará que postos e demais revendedores utilizem nas bombas o termo etanol.

O pleito é da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que alega que o novo bordão da campanha da Lei Seca “álcool e direção não combinam”, confunde a cabeça do consumidor e pode prejudicar as vendas do combustível.

“Nós evoluímos para isso mesmo. Se estamos tentando padronizar a especificação do álcool no mundo inteiro, é natural que se faça a mudança. Em 15 dias estará resolvido”, afirmou o superintendente de abastecimento da ANP, Édson Silva.

Gasolina — O crescimento de 52,9% do consumo de álcool no primeiro semestre deste ano derrubou o preço médio da gasolina vendida nos postos caísse 5,7% no período, na comparação com igual período em 2007.

Silva avaliou ainda que a tendência para o restante do ano é que essa condição seja sustentada, à medida que o consumo de álcool continua subindo. Ao todo, o mercado registrou crescimento de 9,7% em relação ao período de janeiro a junho de 2007, totalizando 51 bilhões de litros. O diesel continua liderando a matriz veicular, com 51,2% de participação.

Fonte: Bem Paraná - Curitiba

Etanol amplia lucros da BR Distribuidora

13/08/08 - As vendas crescentes de etanol possibilitaram a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, registrar recordes históricos de lucro líquido no primeiro semestre e no terceiro trimestre do ano. Em valor absoluto, a maior parte das vendas foi de óleo diesel, mas em termos de crescimento o destaque foi o álcool combustível.

"O consumo de etanol cresceu 58% no primeiro semestre do ano, contra 9% de crescimento do diesel", informou José Eduardo Dutra, presidente da distribuidora, em entrevista à Agência Brasil, do governo federal.

O lucro líquido da empresa, no primeiro semestre, foi de R$ 670 milhões, resultado 64% maior do que o primeiro semestre do ano passado. "Esse resultado se deve basicamente ao aumento do volume de vendas e ao controle do custeio, que foi menor do que o do primeiro semestre de 2006, mesmo com a inflação de 11%", afirmou o presidente da BR.

Segundo ele, as vendas de derivados de petróleo e de etanol da companhia cresceram 15% no primeiro semestre, tendo superado os 18 bilhões de litros. "Foram vendidos, em média, mais de 3 bilhões de litros de derivados do petróleo e de etanol neste primeiro semestre", afirmou.

"Enquanto as vendas do mercado como um todo cresceram 10,5%, as da BR registraram expansão de 15% neste primeiro semestre do ano em relação a igual período de 2007", acrescentou.

"Este foi o semestre do ano em que a BR mais vendeu em sua história. Em julho já, inclusive, batemos o recorde mensal de vendas da história da companhia, ao vendermos 3,254 bilhões de litros de derivados", disse Dutra.


Fonte:
Da:

Strapasson assume a presidência da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool

Alexandre Strapasson (foto), diretor do Departamento de Cana e Agroenergia do Ministério da Agricultura, foi nomeado presidente da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool.

Esta é a primeira vez que um membro do governo assume esse tipo de cargo. O objetivo é harmonizar procedimentos com o setor privado. A câmara é composta por representantes de 23 entidades e deverão se reunir a cada três meses.

A portaria número 660, que trata da recomposição da câmara foi publicada no dia 16 de julho, no Diário Oficial da União (DOU).

Confira a íntegra da Portaria:

Nº 660 - Recomposição da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Americanos temem violação de regras internacionais com a tarifa sobre etanol

A ameaça do Brasil de denunciar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) por barreiras ao etanol faz o Congresso americano questionar a tarifa ao biocombustível. A senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, pediu para o governo Bush investigar até que ponto a tarifa sobre o etanol importado, prevista na nova lei agrícola americana (Farm Bill), viola as regras internacionais.

Em carta à representante comercial americana, Susan Schwab, a senadora nota que a lei agrícola baixou a subvenção para produzir etanol a US$ 0,45 por galão, mas ao mesmo tempo manteve a tarifa de importação de US$ 0,54. Ou seja, segundo ela, na prática Washington mantém uma barreira ao comércio de pelo menos US$ 0,09 por galão de etanol importado.

Dianne Feinstein pediu para o USTR, a agência de representação comercial americana, analisar que tipo de medidas o Brasil poderia tomar, se ganhar eventualmente o caso do etanol na OMC, e o impacto que isso teria sobre a economia americana.

Foi Dianne Feinstein quem apresentou, com o senador republicano Judd Greg, uma proposta para baixar a tarifa de US$ 0,54 por galão sobre o etanol importado para permitir que as refinarias comprem o produto mais barato para misturar com a gasolina e baixar o preço na bomba para os consumidores americanos.

A senadora cita cifras do Departamento de Agricultura dos EUA, segundo os quais o custo de produção para o etanol de cana-de-açúcar do Brasil é de apenas US$ 0,81 por galão, enquanto o etanol americano a base de milho custa US$ 2,0.

Por sua vez, o senador Chuck Grassley, republicano do Iowa, Estado produtor de etanol, continua a defender a tarifa sobre a importação para proteger a produção americana.

Por outro lado, a National Association of Manufacturers (NAM), reunindo indústrias americanas, quer criar uma coalizão de companhias e associações para pressionar por um acordo de produtos ambientais e serviços na OMC.

A indústria americana parte do princípio de que a negociação de Doha vai demorar anos a ser retomada. Assim, alguns países poderiam chegar antes a um acordo. Nesse caso, o que mais interessa ao Brasil é justamente a inclusão do etanol na lista de produtos ambientais, que teriam redução acelerada de tarifas.

Fonte: - Assis Moreira

sábado, 9 de agosto de 2008

Agência dos EUA rejeita corte na meta para etanol

07/08/08 - O administrador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), Stephen Johnson, negou nesta quinta-feita (7) o pedido de corte da meta obrigatória para a produção e mistura de etanol na gasolina em 2008. A decisão é uma vitória dos produtores de milho, que atualmente destinam um terço da safra para a fabricação do combustível, e das usinas.

Johnson avaliou que o RFS (sigla para Renewable Fuels Standard, o mandato federal que determina a mistura de etanol à gasolina) não tem acarretado problemas econômicos graves, a despeito da reclamação do governador do Texas, Rick Perry.

No final de abril, Perry entrou com um pedido para que a EPA reduzisse de 9 bilhões para 4,5 bilhões de galões o uso obrigatório de etanol em 2008. Segundo ele, a crescente demanda de milho para a produção do combustível renovável está afetando as cadeias produtivas de carne bovina, frango e laticínios, que também usam o grão como matéria-prima.

Ferramenta

"Depois de examinar os fatos, ficou claro que o pedido não se enquadrava nos critérios da lei", declarou Johnson em nota oficial. Para ele, o mandato RFS "continua sendo uma importante ferramenta para nossos esforços de redução das emissões de gases do efeito estufa e da dependência do petróleo estrangeiro".

O presidente George W.Bush promoveu o etanol como parte de um esforço para reduzir a dependência energética americana. Há três anos, ele assinou a lei que determinava, para 2012, o uso anual de 28,38 bilhões de litros. No ano passado, Bush ampliou a meta para 143,83 bilhões de litros, a ser atingida até 2022.

O apoio ao etanol frustrou os produtores de aves e suínos, que culpam a lei pelos crescentes custos das rações com as quais alimentam seus plantéis.

"A agência reconhece que os altos preços das commodities (matérias-primas) têm impactos econômicos, mas a ampla análise do pedido do Texas não encontrou evidência de que o mandato RFS causou severos danos à economia do Estado durante o período especificado", afirmou a EPA.

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Etanol é o combustível do futuro

08/08/08 - A produção brasileira de etanol de cana somará 65,3 bilhões de litros em 2020, quase o triplo dos 22,8 bilhões de litros atuais. Esse crescimento será conseqüência da colheita de volume superior a 1 bilhão de toneladas de cana, mais que o dobro das atuais 490 milhões de toneladas. As projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) demonstram o dinamismo da área sucroalcooleira, mas não resolvem uma dúvida do pequeno investidor: vale a pena aplicar em ações do setor?

“A adoção do etanol como combustível renovável não tem volta”, resume o consultor José Ronaldo Rezende, sócio da PricewaterhouseCoopers (PWC). O especialista em agronegócio reconhece que o álcool não será o substituto definitivo do petróleo, mas que terá espaço garantido – e considerável – no mercado brasileiro. O grande desafio que permanece é conquistar mercado internacional e garantir ao etanol tratamento de commodity, como a soja, uma matéria-prima com liquidez global e mercado dinâmico. “Ainda não tivemos capacidade de abrir o mercado internacional”, diz Rezende.

A dependência do mercado interno fez com que a redução de preços do açúcar e do etanol hidratado em 2008 tivesse forte impacto sobre as companhias abertas do setor. Cosan, São Martinho e Açúcar Guarani tiveram prejuízo. A maior delas, Cosan, apresentou prejuízo de R$ 47,8 milhões entre maio de 2007 e abril de 2008, depois de obter lucro líquido de R$ 357,3 milhões no ano fiscal anterior. A Unibanco Corretora avalia que as margens da companhia devem continuar apertadas em 2009.

Também no início de agosto, o Grupo São Martinho apresentou a meta de triplicar sua produção de cana-de-açúcar até 2020, orientada por um novo plano estratégico. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, João Carvalho do Val, prometeu gestão totalmente profissionalizada, ao apresentar o novo executivo-chefe da empresa, Fabio Venturelli. Num setor ainda dominado pela gestão familiar, a viabilidade do planejamento e o profissionalismo da gestão da São Martinho serão colocados à prova nos próximos anos. O setor tem altíssimo potencial – mas ainda precisa demonstrar aos investidores comprometimento com as melhores práticas sociais, ambientais e de governança corporativa.

PRODUÇÃO EM CRESCIMENTO

Da safra 2006/2007 para a safra 2007/2008

Cosan: 11,5%, para 40,3 milhões de toneladas de cana

Guarani: 55%, para 12,69 milhões de toneladas de cana

São Martinho: 10,2%, para 10,22 milhões de toneladas de cana

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Brasil e Estados Unidos discutem a comercialização do etanol como commodity

06/08/08 - O interesse comum para que o etanol possa ser comercializado como uma commodity foi um dos temas discutidos hoje (5) entre o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o subsecretário de Energia dos Estados Unidos, Jeffrey Kupfer. As commodities são produtos primários negociados no mercado internacional.

Lobão lembrou que, assim como o Brasil, os Estados Unidos pretendem manter uma política cada vez mais intensa na produção de biocombustíveis. Segundo ele, os Estados Unidos deverão produzir cerca de 34 bilhões de litros de etanol a base de milho este ano e a produção brasileira deve chegar a 23 bilhões de litros, extraídos de cana-de-açúcar.

“Os dois países têm interesse de que essa política sirva a todos os países. Daqui para frente, os contatos serão cada vez mais estreitos, para que possamos afinar as duas políticas na medida em que essa convergência atenda aos interesses dos dois lados”, afirmou o ministro.

Kupfer ressaltou que tanto os Estados Unidos como o Brasil têm interesse que o etanol se torne uma commodity. Para tanto, os dois países estão investindo também na produção de biocombustíveis de segunda e terceira gerações, que não é baseada em alimentos como matéria-prima. “É importante que essa produção continue se expandido em todo o mundo”, acrescentou.

No entanto, o subsecretário não sinalizou a possibilidade de o governo americano reduzir ou eliminar as tarifas para importação do etanol brasileiro, mas disse que o assunto está sendo discutido internamente e com outros países. Segundo ele, a cobrança da tarifa foi prorrogada pelo Congresso americano até 2010, apesar de o orçamento apresentado pelo presidente George Bush não prever essa prorrogação.

“Temos uma defesa forte dos biocombustíveis, temos metas ambiciosas e estamos estudando como cumprir essas metas no futuro. As tarifas do etanol e suas implicações vão continuar a ser discutidas no nosso país”, assegurou.

O encontro dos ministros foi uma primeira conversa para que os dois países estabeleçam uma política de troca de experiências no setor energético. Kupfer disse que o Brasil é considerado um líder em muitas áreas no setor energético. “Nós temos muito a aprender com as experiências brasileiras e há muitas áreas nas quais podemos aprender um com o outro”, afirmou o subsecretário.

Uma dessas áreas é a produção de energia nuclear. O ministro brasileiro ressaltou que os Estados Unidos são “madrugadores” na utilização dessa energia e, por isso, tiveram avanços significativos, tanto na produção da tecnologia como no armazenamento do lixo tóxico.

“É necessário expandir o entendimento entre os países que utilizam a energia nuclear para que se encontre a melhor solução para todos”, avaliou. Kupfer. Ele disse os Estados Unidos estão construindo novos reatores e, por isso, precisam pesquisar novas tecnologias.

Sabrina Craide
Fonte:

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A luta pelo etanol do amanhã

Com capital de sobra, mercado sedento e apoio maciço do governo, a indústria americana da tecnologia entra para valer na corrida da próxima geração de combustíveis

Da qualidade do solo à engenharia genética, não há como negar: o Brasil é o líder indiscutível na produção de etanol. As usinas daqui têm os menores custos e a maior produtividade, e a experiência de 30 anos com o álcool de cana-de-açúcar garante ao país a supremacia tecnológica no mundo dos biocombustíveis. Até agora o Brasil pode dar-se ao luxo de praticamente não ter competidores. Mas essa situação vai mudar. O etanol deixou de ser considerado uma curiosidade tropical e hoje desperta interesse em todo o planeta, seja por causa do aquecimento global, seja por causa do preço do petróleo importado do Oriente Médio. A concorrência mais ameaçadora vem dos Estados Unidos, mas não está nas plantações de milho nem nas barreiras tarifárias -- está nos laboratórios e no modelo de inovação do Vale do Silício.

Pesquisadores do mundo todo, especialmente americanos, estão debruçados sobre microscópios e computadores em busca da nova geração de biocombustíveis. O principal candidato é o etanol celulósico, que pode vir do capim, da palha do milho, de lascas de madeira e de dezenas de outras fontes. Há outras tecnologias ainda mais inovadoras, como uma improvável gasolina feita de açúcar, que faz funcionar motores de carro a gasolina e tem até uma versão para mover turbinas de avião. Por trás dos inúmeros trabalhos ligados aos novos biocombustíveis está o dinheiro -- muito dinheiro. Só nos últimos seis meses, fundos de capital de risco, bancos de Wall Street e empresas petrolíferas investiram mais de 200 milhões de dólares na nova tecnologia. O governo federal americano, por meio do Departamento de Energia, vai distribuir 385 milhões de dólares nos próximos quatro anos a seis empresas que constroem as primeiras usinas de etanol de celulose. A British Petroleum anunciou uma doação de 500 milhões de dólares à Universidade da Califórnia em Berkeley para liderar um grupo de estudos de biotecnologia cujo objetivo é encontrar maneiras mais eficientes de transformar a celulose em açúcar e, depois, em combustível. Na corrida pelo combustível verde do futuro, o Brasil ainda está atrasado. "Embora algumas inovações tenham surgido aqui, a inovação também vem da Europa e da América do Norte - e a um ritmo bem mais veloz do que no Brasil", disse a EXAME James McMillan, responsável pela área de pesquisa em biorrefino do Centro Nacional de Bioenergia e do Laboratório Nacional de Energias Renováveis, órgãos do governo americano. David Rothkopf, autor do mais completo estudo sobre o tema, também é contundente: "O maior risco para o país, hoje, é ser complacente e ficar sentado sobre as glórias passadas".

A idéia do etanol celulósico não é nova, pelo contrário. Nove anos atrás, a empresa BC International lançou a pedra fundamental de uma usina piloto para produzir combustíveis de restos agrícolas. Na ocasião, representantes do governo americano profetizaram que, em 2009, a produção já seria equivalente à de milho. Sabe-se hoje que é impossível cumprir essa meta. Mas as tentativas continuam. Em fevereiro passado, a mesma companhia, rebatizada de Celunol, começou as obras de outra usina de combustível celulósico, muito maior e mais ambiciosa. "Vamos produzir 5 milhões de litros a partir do próximo ano", diz Carlos Riva, presidente da Celunol. "Em dois ou três anos teremos uma planta comercial, com capacidade de cerca de 100 milhões de litros."

É fácil entender o enorme interesse pela nova modalidade de biocombustível. O presidente americano, George W. Bush, anunciou em janeiro a meta de produzir 132 bilhões de litros de biocombustíveis em 2017 para reduzir a dependência do país do petróleo. Não é possível contar apenas com o milho para atingir essa meta. Neste ano, a produção de etanol nos Esta dos Unidos deve ser de 22,8 bilhões de litros, e estima-se que o limite teórico, sem afetar o uso do grão na alimentação, seja algo próximo de 55 bilhões. Todo o resto só pode vir da importação ou da celulose, o material orgânico mais abundante do planeta. Nos laboratórios, diversos métodos já foram descobertos para extrair os açúcares que compõem a celulose e que podem guardar o segredo para uma mina de ouro vegetal. Algumas abordagens, como a da Celunol, envolvem bactérias modificadas geneticamente. A também americana Mascoma busca obter num único passo a extração do açúcar e a fermentação. Uma terceira abordagem, da Range Fuels, envolve o uso de um processo termoquímico para gaseificar lascas de madeira e, com um catalisador, transformá-las em álcool combustível. "O governo dos Estados Unidos está investindo muito. O assunto é visto como uma questão de segurança nacional", diz Jorge da Silva, brasileiro que ocupa a posição de líder do centro de estudos com cana-de-açúcar da Universidade do Texas. "Não é só discurso. Há um sensível aumento de recursos disponíveis para pesquisa em biocombustíveis."


Todas essas técnicas funcionam em laboratório. Para torná-las uma realidade comercial, as empresas contam com um modelo que já provou seu valor na indústria da tecnologia: os fundos de capital de risco. A maioria das companhias iniciantes conta com recursos de Vinod Khosla, fundador da Sun Microsystems e da Khosla Ventures. O indiano já investiu em pelo menos uma dúzia de empresas ligadas aos novos biocombustíveis. Assim como no boom da internet, algumas não vão dar em nada -- mas a estratégia é esperar que um acerto pague com sobra todos os outros fracassos. Entre todas as tecnologias que buscam conseguir o biocombustível da nova geração, e também parte do portfólio de Khosla, uma das idéias mais radicais é da Amyris. A empresa nasceu com uma doação de 42 milhões de dólares da Fundação Bill e Melinda Gates para fazer um composto para baratear os remédios antimalária. A técnica envolve o uso de uma bactéria geneticamente modificada. No meio do processo de desenvolvimento, os fundadores descobriram que a mesma bactéria, em contato com o açúcar, poderia dar origem também a um combustível vegetal de propriedades parecidas com as da gasolina. Nascia ali a "gasolina de açúcar".

O combustível patenteado pela Amyris tem uma diferença fundamental em relação ao etanol: não exige a adaptação dos carros nem da infra-estrutura de distribuição atuais. Além disso, a gasolina de açúcar tem valor energético 30% maior que o do álcool, a um custo de produção idêntico. "Por que usar etanol se você pode ter uma alternativa mais eficiente pelo mesmo preço?", diz o português John Melo, presidente da empresa. Melo, ex-presidente da divisão de combustíveis da gigante BP nos Estados Unidos, esteve no Brasil pela primeira vez no início de maio. Visitou a usina Santa Elisa, em Sertãozinho, no interior paulista, para iniciar conversas sobre uma possível parceria. Em vez de fermentar o suco da cana com levedura, como se faz tradicionalmente, Melo quer convencer os produtores brasileiros a usar a bactéria desenvolvida pela Amyris. A grande vantagem é que não é preciso investir em novas infra-estruturas: as plantas atuais podem, com algumas adaptações, produzir o novo biocombustível. "Posso voltar em três meses para iniciar negociações formais."

Embora ainda não haja um modelo de parceria definido com os usineiros brasileiros, a tecnologia da Amyris é uma das que têm as melhores chances de alcançar volume num curto espaço de tempo. O eta nol de celulose ainda tem um prazo de maturação mais longo. As estimativas mais otimistas apontam para no mínimo cinco anos de espera até que haja produção em larga escala - e até 15 anos de acordo com os conservadores. E isso, é claro, se for provada a viabilidade comercial. Estima-se que a quebra da celulose da palha de milho, por exemplo, custe algo como 2,5 dólares por galão. No Brasil, o galão de álcool de cana-de-açúcar sai hoje, pelo método tradicional, por cerca de 1 dólar. Enquanto essa questão do preço não for resolvida, quem vai continuar ganhando dinheiro com biocombustíveis são os brasileiros.

Embora poucos acreditem que essa nova geração vá representar uma ruptura para a indústria nacional do etanol, todos compreendem os riscos de não estar na fronteira da tecnologia. O conforto, como diz Fernando Reinach, diretor executivo da Votorantim Novos Negócios e um dos maiores especialistas do país no assunto, é que a natureza ainda é um diferencial competitivo essencial a favor do Brasil. Após a moagem, o bagaço da cana também pode ser usado para produzir combustível de celulose. E o clima dos trópicos garante que a cana tenha mais biomassa - e, portanto, seja mais produtiva que as alternativas estudadas lá fora. "É uma vantagem que não vamos perder nunca", diz Reinach. As desvantagens, claro, estão na enorme diferença de recursos para pesquisa. A Votorantim Novos Negócios tem duas empresas ligadas à melhoria genética da cana (Allelyx e Canavialis) e há seis meses criou a Biocell. A empresa estuda o etanol de celulose. Se os custos forem interessantes, segundo Reinach, a Votorantim Novos Negócios vai investir de 30 milhões a 40 milhões de dólares para construir uma usina. "O dinheiro e o risco são inteiramente nossos. Que incentivos recebemos? Zero", afirma Reinach. Os 30 anos de história da indústria brasileira do etanol, aliados à natureza, deram ao país uma liderança confortável em biocombustíveis. Mas a pergunta que muitos começam a se fazer é outra: onde estaremos nos próximos 30?

Fonte: 17.05.2007 - Sérgio Teixeira Jr. e Ricardo Cesar

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bioetanol a partir do milho é "idéia de jerico"

29/07/08 - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, classificou como "idéia de jerico" a tentativa de produzir etanol a partir do milho e frisou que a tendência é de que o álcool brasileiro consiga derrubar barreiras que atualmente restringem a exportação do produto. Para o ministro, a abertura vai ficar mais fácil à medida que outros países começarem a se destacar na produção de etanol.

"Todos sabemos que é idéia de jerico produzir etanol do milho, como fazem os Estados Unidos. Mas temos que continuar produzindo porque em algum momento o mercado vai se abrir", frisou Bernardo, acrescentando que a tendência é que a produção americana a partir do milho entre em colapso.

Bernardo, que participou de palestra no Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), no Rio de Janeiro, afirmou ainda que a produção brasileira de etanol, ao contrário da americana, não contribui para o aumento dos preços dos alimentos. O ministro afirmou ainda esperar que a produção agrícola nacional dobre antes da meta de 10 anos estipulada pelo governo.

Fonte:

Braskem aposta na vocação do Rio Grande do Sul em produzir etanol

04/08/08 - Desde que anunciou o projeto para a produção do polímero verde -desenvolvido a partir do etanol para a composição de polietileno - a Braskem é uma das empresas que está na torcida para que o Rio Grande do Sul seja incluído no zoneamento agrícola da cana-de-açúcar. "Não há dúvidas de que o Estado têm condições técnicas de produzir, mesmo com clima mais frio. Basta ter manejo correto", ratifica o líder comercial do projeto de polietileno verde da Braskem, Luiz Nitschke.

A expectativa de retorno com o novo produto é tanta que o especialista prevê que seja dobrado o consumo de etanol no Estado. "A demanda de área será ainda maior do que a prevista para auto-suficiência, cerca de 300 mil hectares", avalia. Para dar a largada no processo de desenvolvimento do projeto, a empresa está trazendo etanol de São Paulo e do Paraná, mas aponta as desvantagens da importação do produto. Segundo ele, além do custo de logística, há o custo ambiental. "Ao transportarmos o álcool emitimos CO² para o meio ambiente, prática que justamente queremos evitar produzindo o polímero verde. Isso reduz a nossa vantagem ambiental", explica.

O projeto já vem sendo desenvolvido em caráter experimental, com a criação de pilotos, como no caso do jogo Banco Imobiliário Sustentável. A demanda pelo polímero verde é crescente no mundo em função do seu apelo de sustentabilidade. O apresentado pela Braskem é o primeiro do mundo com 100% de matéria-prima renovável e por ser produzido a partir da cana-de-açúcar, possibilitará a criação de uma resina que não seja suscetível às oscilações no preço do petróleo e seus derivados.

Fonte: Jornal do Comercio - Porto Alegre/RS

Stephanes e Minc discutem plantio de cana-de-açúcar na Amazônia

Os ministros Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Carlos Minc, do Meio Ambiente, chegaram a um entendimento sobre o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal. A decisão final, entretanto, caberá ao Palácio do Planalto. Na Amazônia, segundo os ministros, não haverá novos plantios, mas a área ocupada com usinas já instaladas poderá ser mantida.

Há três usinas na região: no Acre, no Amazonas e no Pará Stephanes defendia o plantio da cana nas áreas de savana de Roraima, mas não haverá autorização para o cultivo generalizado nesta região. Segundo o ministro, há informações sobre a existência de uma usina no Estado, que poderá receber o mesmo tratamento das outras três.

No caso do Pantanal, não será permitido o plantio nas áreas de planície. No planalto, de maior altitude, áreas consolidadas há mais de dez anos poderão ser mantidas, especialmente aquelas que ocupam pastagens degradadas, desde que se utilize o plantio direto, com o revolvimento da terra a cada cinco anos. "Não haverá a aprovação de nenhum projeto novo na região", disse Stephanes referindo-se à Amazônia e ao Pantanal. "Este é um acordo que não quebra a produção e reduz o assoreamento dos rios da planície pantaneira", completou Minc.

Em ambos os ecossistemas, o plantio não poderá ser feito em áreas que não tenham aptidão de solo, clima e declividade de 12 por cento, além das áreas de vegetação nativa.

Na reunião de hoje também foi decidido que os projetos de pesquisa que têm o objetivo de elevar a produção agropecuária e que envolvem questões de biodiversidade terão acesso facilitado pelo governo. A questão vai ser tratada em um projeto de lei, que será encaminhado pelo governo ao Congresso. Minc explicou que a intenção é diminuir o tempo de espera de autorização da pesquisa de um ano para 15 dias.

Segundo os ministros, há 13 assuntos de interesse comum entre os dois ministérios, dos quais dois foram resolvidos hoje: cana e autorização de pesquisa sobre a biodiversidade, desde que o objetivo dos estudos seja o aumento da produção agropecuária.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Grupo de países europeu quer etanol brasileiro na UE

25/07/08 - Um grupo de países europeus sugere barganhar com o Brasil a entrada do etanol no mercado da União Européia (UE). Portugal, Suécia e Finlândia sugeriram que a UE aceite incluir o etanol brasileiro na Rodada Doha e peça em troca acesso ao mercado nacional para produtos de seu interesse.

Nem todos estão de acordo com o tratamento dado ao Brasil. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu mais concessões do Brasil, Índia e China.

O etanol é o produto que hoje comanda a diplomacia comercial brasileira, e o chanceler Celso Amorim insiste que as tarifas sobre o produto precisam ser liberalizadas. França, Itália, Romênia e Áustria alertam que não é hora de tratar do assunto, e dizem que a indústria européia precisa ser protegida.

Para Portugal e os escandinavos, deveria haver margem de manobra. Ontem, os três países sugeriram ao comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, que a UE ofereça certo acesso a seu mercado. Em troca, ganharia corte de tarifas em um setor industrial no Brasil.

Mas nem todos gostaram da idéia. A Romênia alertou que a competitividade do produto brasileiro destruiria a produção local, enquanto a Áustria alertou que o produto precisa ser mantido entre os bens sensíveis. Os europeus confirmaram que o tema deixava os brasileiros nervosos, principalmente ante a possibilidade de cotas.

Sobre os comentários do presidente francês, Mandelson deixou claro que não é Sarkozy quem negocia em Genebra, e é a UE que fala em nome do bloco. Sarkozy comprou uma briga com Mandelson há poucas semanas ao afirmar que o comissário estaria oferecendo mais que poderia em termos de acesso aos mercados emergentes.

Questionado sobre os comentários de Sarkozy, Mandelson respondeu que diria apenas “que a Comissão é encarregada das negociações na OMC em favor de todos os estados-membros”. Sarkozy insistiu, afirmando que, “se o acordo que está sobre a mesa não for modificado, não assinaremos”.

Jamil Chade
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